quarta-feira, 12 de outubro de 2022

O Poder do Voto

 



O Poder do Voto

Na nossa educação e instrução social somos ensinadxs a não questionar, ouvir e acatar as informações e/ou conteúdos que nos são transmitidos. De imediato, poderíamos perceber que, estamos a perder o direito e a liberdade do pensamento crítico.

Fatalmente a estrutura em vigor orienta-nos a crer nos mais variados e infames discursos proferidos pelas figuras políticas. Sequer nos permitimos ler com atenção e cuidado, verificar o que está a ser emitido, tão pouco conhecer o historial daquelx candidatx. Assim sendo, se apenas recebemos e acolhemos, sem a hipótese de questionar ou pesquisar, indica que, automaticamente iremos votar sem qualquer prudência.

Recuemos um bocadinho na nossa linha cronológica, retornando à era em que as mulheres e as pessoas negras não podiam votar. Sim, hoje nos é impensável ou inquestionável qualquer pessoa ser impedida de exercer esse direito.
Lamentavelmente isso aconteceu, e é mais recente do que poderíamos imaginar. Foi a Nova Zelândia o primeiro país democrático a reconhecer esse direito ao sufrágio feminino. A feminista neozelandesa Kate Sheppard liderou a luta intensa, para que esse direito fosse reconhecido.

Após o movimento impulsionado pela Sheppard, a Inglaterra em 1918 conquistou o direito ao voto feminino. Daí em diante, as mulheres ao redor do mundo manifestaram o seu direito ao voto em seus países. Em Portugal, após a Revolução de 25 de Abril de 1974 se consagraria o sufrágio universal, sem qualquer restrição ao género atribuído à nascença.

Ainda que esse direito seja legalmente reconhecido, há algumas zonas do planeta que a barreira ainda se mantém e/ou persiste. No Brasil, as mulheres negras encontram dificuldades para exercer essa atividade democrática. Vale lembrar que, desde o ano de 1932 (no Brasil), as mulheres tiveram o seu direito ao voto reconhecido.

“As rosas da resistência nascem no asfalto. A gente recebe rosas, mas vamos estar com o punho cerrado falando de nossa existência contra os mandos e desmandos que afetam nossas vidas.” – Marielle Franco.

Até quando iremos desvalorizar esse exercício democrático imprescindível? A taxa de abstenção em Portugal tem um valor médio de 60,4% (dados de 2 de março de 2021, do INE – Instituto Nacional de Estatística), caracterizando uma profunda preocupação. Quando iremos assumir a nossa responsabilidade democrática e eleger conscientemente a melhor representação público-administrativa?

O movimento negro há anos que luta persistentemente para colocar um fim ao racismo e a sua expressão calibrada de ódio e preconceito. Harriet TubmanMartin Luther King Jr.Rosa ParksMalcolm X e Angela Davis são algumas das principais figuras públicas que marcam a história do movimento.

Estas pessoas lutaram durante anos e algumas delas já não estão mais entre nós, para dar o seu testemunho. 
Uma minoria que sofreu (e continua a ser perseguida) tremendamente, mas que durante largos anos foram vítimas de uma serventia abusiva, cruel e bárbara. Não apenas a escravatura demarca este período lamentável da evolução histórica, mas sobretudo a persistência do preconceito racial. E sim, ele continua presente na nossa sociedade, quer tenhamos consciência ou não.

É de salientar que durante anos as pessoas negras não tinham o direito a exercer o voto. No ano de 1965, após uma luta árdua liderada por Martin Luther King Jr., esse direito foi reconhecido nos Estados Unidos da América.
São várias as barreiras instituídas pelas entidades governamentais, para assim manter o controlo e a soberania totalitária dissimulada.

Brasil prepara-se para ir a votos

No Brasil, as próximas eleições presidenciais farão a diferença no rumo da democracia e consequentemente serão um espelho que refletirá e terá influência por todo o mundo. Em causa está a ameaça constante ao Estado Democrático, cometida pelo atual presidente, Jair Bolsonaro. Ainda antes de assumir a presidência, enalteceu a ditadura, sendo um dos líderes desse regime militar uma de suas referências políticas, o general Brilhante Ustra. Além de ameaças democráticas ao Supremo Tribunal Federal, enquanto deputado incitou uma guerra civil, durante uma entrevista no ano de 1999. Nessa mesma entrevista, concedida ao programa "Câmera Aberta", transmitida pela TV Bandeirantes do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro disse que os problemas do país iriam ter um fim "quando nós partirmos para uma guerra civil aqui dentro". Acrescentou, "Fazendo o trabalho que o regime militar não fez, matando uns 30 mil, começando com o [então presidente] Fernando Henrique Cardoso. Não deixar pra fora, não, matando. Se vai morrer alguns inocentes, tudo bem, tudo quanto é guerra morre inocente". E deixou bastante claro que "Eu sou favorável à tortura, você sabe disso. E o povo é favorável".

Em contrapartida, Luiz Inácio Lula da Silva tem uma atuação política diferente do atual presidente e preza pela equidade, progresso e justiça social. O ex-presidente foi preso injustamente, essa conclusão foi declarada pela Justiça Brasileira e pelo Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU). O ex-presidente foi vítima de justiça parcial e teve violado os seus direitos políticos, civis e à privacidade. Lula ganhou absolutamente todos os processos movidos contra ele, sendo assim um total de 25 processos judiciais. Foi reconhecido e aclamado mundialmente, sendo apontado pela "Time" , como um dos líderes mais influentes do mundo. Na França, recebeu o prêmio de uma revista especializada e reconhecida em política "Politique Internationale". Foi também indicado, no ano de 2019, ao Prêmio Nobel da Paz, entre outras condecorações e reconhecimentos globais, o ex-presidente transparece claramente quais os seus objetivos políticos. O Lula foi o presidente que mais promoveu a inclusão social na história, alçou o país ao sétimo lugar no ranking económico mundial e, durante o seu mandato possibilitou que 32 milhões de brasileirxs saíssem da pobreza e entrassem na classe média. Entre outros feitos, o ex-presidente progressista criou 15 milhões de empregos formais, foi o presidente que mais investiu na educação, mesmo sem ser diplomado e investiu na agricultura familiar.

Existem evidências suficientes para obtermos as nossas conclusões e é caso para questionar seriamente: que tipo de presidente irá o povo brasileiro eleger para os próximos quatro anos?

O exercício do voto é o momento marcante e determinante para toda e qualquer pessoa, pois é ali que se inicia a vida social democrática. O voto legislativo é tão importante quanto o voto das Associações Estudantis, como das Associações de Direitos Humanos, bem como eleger a representação das turmas universitárias e representações de cursos e/ou professores académicos.

Atravessamos o momento adequado e oportuno para começar a fazer a diferença nas nossas vidas, bem como refletir e ser uma extensão modelar na nossa sociedade. Que tal numa próxima eleição participar ativamente? Quer seja no condomínio, na escola, no trabalho, na universidade, ou em qualquer outro espaço.

“As nossas vidas começam a terminar no dia em que permanecemos em silêncio sobre as coisas que importam.” – Martin Luther King Jr.



Artigo publicado no site esQrever, a 26 de Agosto de 2022.

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